segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Vincent (Tim Burton) - Resenha

Um curta metragem dirigido por meu estimado Tim Burton (de Alice no País das Maravilhas), com texto por ele mesmo escrito. O curta é o primeiro do consagrado diretor, datando de 1982, e conta a vida de Vincent Malloy, um garoto de sete anos que, ao contrário das outras crianças de sua idade, lê autores como Edgar Allan Poe e tem como ídolo o já falecido ator Vincent Price (de Edward Mãos-de-Tesouras). O jovem Vincent enlouquece com seus gostos e anseios, legando à rápida trama um ar único, sinistro e envolvente, somente conseguido por Burton em suas obras. Filmado na técnica de stop-motion (a mesma de O Mundo Estranho de Jack), Vincent é mais uma das pedras preciosas com que brinda o diretor aos seus fieis seguid-... fãs.

Ainda não assistiu "Vincent"? Está esperando o quê? Ó o curta aqui:

Desejo...

Queria eu poder sentir o perfume das rosas, a brisa fresca do vento, ou mesmo a textura da madeira firme. Queria eu poder ver a beleza das estrelas, sentir o calor da verão, ou o frio da estação. Queria eu que meu coração tornasse a em meu peito bater, que a lágrima em meu rosto mais uma vez se pusesse a correr. Queria que eu meus lábios se curvassem no antigo sorriso, que minha pele mais um vez... sentisse a maciez do toque das pétalas das vermelhas rosas. Não jogem aos meus pés os brancos crisântemos, ou velas por mim acendam! Deixem a pálida lua iluminar meu rosto e que minhas pálpebras fechadas sejam tocadas pelo ar gentil das colinas da infância que ainda brinda à vida sob os galhos dos grandes e amigos carvalhos. Não neguem a mim estes últimos anseios, suspirados com o último alento da vontade. Deixem apenas a paz, o silêncio abençoado - e se possível, também o canto do trsite rouxinol que junto a minha janela trazia suas melodias...

domingo, 11 de setembro de 2011

Resenha: O voo de Icarus – até onde nossa mente pode nos levar?

O voo de Icarus – até onde nossa mente pode nos levar?
          Nunca li uma estória tão singular quanto a narrada pelo livro do escritor gaúcho Estevan Lutz, e olha que já li muita coisa...
          No começo o enredo me recordou de um filme protagonizado pelo ator americano Eddie Murphy, Pluto Nash, isso pelo ambiente estruturado pelo autor. Mas depois a estória seguiu um rumo completamente diferente daquele que eu tinha anteriormente imaginado, coisa que agrada os leitores.
          Durante toda a trama eu esperei que as coisas com Icarus, personagem protagonista que cede nome ao livro, acontecessem de uma forma e, a cada página que eu virava, minhas expectativas eram substituídas por acontecimentos e revelações inesperadas e surpreendentes. A estória é contada de uma forma que nos introduz com facilidade para o mundo fictício onde Icarus vive sua vida.
          Viciado numa droga denominada “nirvana”, Icarus busca tratamento e aceita o uso de nanotecnologia para o acontecimento tal, o que o faz mergulhar numa “alucinante” realidade paralela ao mundo virtual onde ele vive. Juntamente com Rox, ele faz o leitor parar para pensar o que é real e o que é imaginário, num verdadeiro voo de emoções, descobertas e até mesmo dúvidas, que preenchem cada página, prendendo o leitor do início ao fim.
         Se você ainda não leu, está esperando o quê? Adquira logo seu exemplar de O Voo de Icarus e lance sua imaginação nesse voo!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Requiem "Librera me"

                                                 (Divina Comédia - ilustração por Gustave Doré)

Līberā mē, Domine, de morte æternā, in diē illa tremenda:
Quandō cœli movendi sunt et terra.
Dum veneris īudicāre sæculum per ignem.
Tremēns factus sum ego, et timeō, dum discussio vēnerit, atque ventūra īra.
Quandō cœlī movendi sunt et terra.
Diēs illa, diēs īræ, calamitatis et miseriæ, diēs magna et amara valde.
Dum veneris īudicāre sæculum per ignem.
Requiem æternam dōnā eīs, Domine: et lūx perpetua lūceat eīs.

As cores

          Eu vejo as cores. Elas estão por toda parte ao meu redor - uma sinfonia singela; uma canção discreta.
          Eu vejo as cores. Elas completam meu dia, preenchem as sombras e deleitam meus olhos.
          Eu vejo as cores. Meu saudoso azul, meu belo carmim e brilhante doirado.
          Eu vejo as cores. Fartas, elas encobrem o mundo, deleitam nas rosas, choram nos céus.
          Ah! Minhas belas cores! Meu sombrio cinzento! Amado púrpura!
          Eu vejo as cores...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Realidade

          Hoje despertei com a curiosa sensação de que o sonho que tive foi tão real quanto o mundo que habito ou mesmo aqueles que crio com o arranhar da pena sobre o papel. Foi uma coisa estranha. Confesso que me deixou pouco à vontade. Assustou-me. No entanto, adimito, também foi... bom.
          Sou da opinião de que tudo o que a mente humana imagina existe, por mais surreal e absurda que essa imaginação possa vir a ser. Mas caso eu estiver correta em minhas conjecturas, isso não significa que todos os nossos sonhos são também reais?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

                                                     (Nightmare before Christmas - Tim Burton)

                                          Sob a luz da lua silenciosa, pálido anoitecer,
                                         Dual almas vagando, até tarde, o aurorescer...

O tempo

          Quando o tempo passa, quando a vida segue em frente, nós abrimos os olhos e percebemos o quão longe chegamos. Você sente, você percebe como a vida é um relâmpago que passa rápido, estrondoso e que pode cegar os olhos mais frágeis. Quando o tempo passa você quer que ele volte atrás e lhe dê uma segunda chance, mas você não sabe ainda que isso não vai acontecer.
          Você dá um passo à frente e, sem perceber, mergulha na escuridão alucinante que o futuro revela - um abismo mortal no qual um passo dado falso e tudo o mais despenca...

Loucura

          Ela se viu só diante do espelho; a faca na mão - sangue vermelho...
          Tentou gritar: não tinha voz! Estava com medo... queria tanto fugir! Mas não podia. Olhou para a imagem que sorria-lhe do espelho. Os olhos frios e serenos eram calmos. Nos lábios vermelhos brincava o sorriso gélido que alma não podia revelar.
          Respirou fundo. O medo aos poucos se perdia. A lâmina da faca levantava...
          Sangue vermelho.